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quarta-feira, 6 de junho de 2012

Cão mongol

«Canato» é uma palavra curiosa. Não consta no Houaiss, dicionário que tenho em muito boa conta, nem no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Foi no Metro 2033, de que já falei antes, que deparei com a palavra. Descobri o significado no Priberam.

«Canato» é um território governado pelo cã. «Cã» é o título dos imperadores mongóis, descendentes de Gengis Khan. Nalgumas províncias da Ásia Central, o cã é o oficial comandante ou o governador.

Gengis Khan foi um dos mais conhecidos conquistadores. Foi guerreiro e líder mongol, e unificou diversas tribos nómadas da Mongólia, tornando-as aquilo que viria a ser o Império Mongol, que depois se estendeu pela Ásia até ao mar Adriático.

Na Wikipédia (e não só) o nome «Gengis Cão» aparece como uma alternativa ao nome de Gengis Khan. Além da questão fonética, não descubro outra razão para tal acontecer...

COSTA, J. Almeida; MELO, A. Sampaio e, Dicionário da Língua Portuguesa. 8.ª Ed. Porto: Porto Editora, 1999.
Dicionário do Português Atual Houaiss. Lisboa: Círculo de Leitores, 2011. 2 Vols.
Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. 2010. www.priberam.pt
Infopédia. Porto: Porto editora, 2003-2012. www.infopedia.pt
GLUKHOVSKY, Dmitry, Metro 2033, trad. Pedro Garcia Rosado. Lisboa: Gailivro, 2011.
Wikipedia. www.pt.wikipedia.org

domingo, 20 de março de 2011

O Metro de Moscovo

No fim do ano passado estive a trabalhar num livro que me levou a investigar o Metro de Moscovo. Concentrei-me, essencialmente, no mapa da rede do metro, cuja configuração achei desde logo muito peculiar. Só ao atentar nele uma segunda vez, me apercebi de que a linha circular, que une todas as estações, é mesmo uma linha de metro, o que torna o desenho do mapa absolutamente único e muito original.

Só depois, e por curiosidade, “descobri” o metro em si. As estações são magníficas e justificam o facto de o Metro de Moscovo ser também conhecido por palácio subterrâneo.

O Metro de Moscovo foi inaugurado em 1935 e transporta hoje cerca de nove milhões de pessoas por dia, número que faz desta rede de metro a maior do mundo em densidade de passageiros.
Esta rede é composta por doze linhas, num total de cento e oitenta estações, que são percorridas por mais de nove mil comboios.

O trabalho a que me refiro conduziu-me a uma segunda investigação, desta vez sobre o alfabeto cirílico. Acontece que a tradução dos nomes das estações variava consoante as fontes consultadas, o que me pareceu bastante estranho, uma vez que, pensei, a regra da transliteração do alfabeto cirílico para o latino devia ser única. Enganei-me. Ao que parece, não existe uma regra, mas várias e, segundo o que consegui descobrir, nenhuma é reconhecida oficialmente como norma. Assim, podemos ter a mesma palavra escrita com “y”, com “i” ou mesmo com “j”, ou uma palavra escrita com “x” ou com “ks”.

A criação do alfabeto cirílico remonta ao século IX e é atribuída a dois missionários cristãos bizantinos, (São) Cirilo e Metódio, que terão desenvolvido um novo método de escrita inspirado no alfabeto grego e no hebraico. Continha inicialmente 43 letras, derivadas de letras gregas e de combinações de letras gregas e hebraicas. Hoje, o russo moderno tem 32 letras, mas o búlgaro e o sérvio têm 30 letras e o ucraniano, 33. Penso que esta será também uma fonte de ruído no que diz respeito à transliteração, uma vez que o próprio alfabeto sofre algumas mutações consoante a zona que considerarmos.

No que ao meu problema diz respeito resolvi consultar o site oficial do Metro de Moscovo. Aí, o nome das estações aparece escrito em cirílico com a respectiva “tradução” para o alfabeto latino. Pareceu-me o mais sensato, e menos penoso do que estudar todas as possibilidades que as normas nos oferecem...



site do Metro de Moscovo; http://tipografos.net/glossario/cirilico.html