sábado, 15 de dezembro de 2012

Desavergonhada

«Gralha» é o nome de uma ave semelhante ao corvo. Considerada fatídica, é também uma ave facilmente notada, por ser muito barulhenta.
 
Certamente por estes motivos, «gralha» é também o nome dado, em Portugal e no Brasil, aos erros tipográficos: «...troca duma letra por outra, na omissão duma palavra ou de parte duma frase, na repetição dum vocábulo, na transposição duma ou mais linhas, na supressão dum espaço, na intromissão de letras doutro tipo, na má divisão de palavras, etc.»

 



«Quase todos os revisores têm a impressão de que as terríveis gralhas, sob os seus olhos, como que capricham em passar despercebidas, inocentes, nonchalantes, dissimulando-se como que à socapa (...) as gralhas ostentam-se atrevidas, radiantes, traiçoeiras, quando o livro já está impresso, mais garridas parecendo ao surgir a obra nos escaparates das livrarias. E tem-se até a sensação de que, quanto mais fina é a qualidade do papel empregado e mais nítida a impressão do livro, com mais realce e espavento se saracoteiam as desavergonhadas, como que a zombar de autores e revisores, numa altura em que não há correcção possível.»

VIEIRA, Alexandre e PIÇARRA, Gonçalves, Como se Corrigem Provas Tipográficas. Lisboa: Albagráfica, 1951.
AUGÉ, Marc, Não-Lugares, trad. Miguel Serras Pereira. Lisboa: Livraria Letra Livre, 2012.

sexta-feira, 30 de novembro de 2012

Corrigir: Vidro




Às vezes, tenho a estranha sensação de que este meu ofício de revisora ultrapassa as provas que leio para se instalar nos absurdos e nas incoerências do quotidiano.

* Para sublinhar o insólito da situação, devo acrescentar que, no momento da fotografia, o limpa-pára-brisas estava a trabalhar.

quarta-feira, 19 de setembro de 2012

Por becos e vielas

A toponímia é a parte da onomástica que estuda os nomes próprios de lugares. Assim, um topónimo é um nome geográfico, seja de regiões, de cidades ou de lugares.

Num recente passeio pelos arredores de Viseu, descobri que, na toponímia urbana, além de rua, avenida, alameda, praça, largo, travessa, estrada, calçada, ladeira, beco, existe também a quelha, que é uma viela estreita.



Até há pouco tempo, a regra era grafar os topónimos sempre em caixa alta (maiúscula). Porém, o novo acordo ortográfico prevê a opção de maiúscula ou minúscula na categorização de logradouros públicos. Deste modo, podemos escrever «Quelha das Hortas» ou «quelha das Hortas».
 

Dicionário do Português Atual Houaiss. Lisboa: Círculo de Leitores, 2011. 2 Vols.
PINTO, Paulo Feytor, Novo Acordo Ortográfico da Língua Portuguesa. 2.ª Ed. Lisboa: Imprensa Nacional, 2010.


sábado, 16 de junho de 2012

Sub-aspirante

A hierarquia militar é um assunto pelo qual sinto um total desinteresse. Naturalmente, nunca me entendi com as diferenças entre patentes; muito menos com a distinção destas em função dos respectivos ramos das Forças Armadas. Há tempos, porém, vi-me forçada a esmiuçar este assunto.
Existe, então, o Exército, a Marinha e a Força Aérea, e para cada uma destas forças armadas existem três categorias de patentes: praças, sargentos e oficiais. Em todas existem cabos, sargentos, tenentes, capitães, muitos hífenes e aspirantes. Na Marinha estão os nomes mais curiosos: grumete, marinheiro, comodoro e almirante. O Exército e a Força Aérea têm as maiores semelhanças de patentes: soldado, furriel, alferes, major, coronel, general. No exército há brigadeiros; na Força Aérea, cadetes e marechais.

Feita a pesquisa, mantive a minha dúvida, de principiante. Em nenhuma listagem aparecia o «comandante»; bastava ter “olhado” para a palavra... «Comandante» é aquele que comanda, o que dirige. É o título dado ao oficial que comanda, independentemente de arma ou patente.

 
Dicionário do Português Atual Houaiss.Lisboa: Círculo de Leitores, 2011. 2 Vols.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Cão mongol

«Canato» é uma palavra curiosa. Não consta no Houaiss, dicionário que tenho em muito boa conta, nem no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Foi no Metro 2033, de que já falei antes, que deparei com a palavra. Descobri o significado no Priberam.

«Canato» é um território governado pelo cã. «Cã» é o título dos imperadores mongóis, descendentes de Gengis Khan. Nalgumas províncias da Ásia Central, o cã é o oficial comandante ou o governador.

Gengis Khan foi um dos mais conhecidos conquistadores. Foi guerreiro e líder mongol, e unificou diversas tribos nómadas da Mongólia, tornando-as aquilo que viria a ser o Império Mongol, que depois se estendeu pela Ásia até ao mar Adriático.

Na Wikipédia (e não só) o nome «Gengis Cão» aparece como uma alternativa ao nome de Gengis Khan. Além da questão fonética, não descubro outra razão para tal acontecer...

COSTA, J. Almeida; MELO, A. Sampaio e, Dicionário da Língua Portuguesa. 8.ª Ed. Porto: Porto Editora, 1999.
Dicionário do Português Atual Houaiss. Lisboa: Círculo de Leitores, 2011. 2 Vols.
Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. 2010. www.priberam.pt
Infopédia. Porto: Porto editora, 2003-2012. www.infopedia.pt
GLUKHOVSKY, Dmitry, Metro 2033, trad. Pedro Garcia Rosado. Lisboa: Gailivro, 2011.
Wikipedia. www.pt.wikipedia.org