sábado, 16 de junho de 2012

Sub-aspirante

A hierarquia militar é um assunto pelo qual sinto um total desinteresse. Naturalmente, nunca me entendi com as diferenças entre patentes; muito menos com a distinção destas em função dos respectivos ramos das Forças Armadas. Há tempos, porém, vi-me forçada a esmiuçar este assunto.
Existe, então, o Exército, a Marinha e a Força Aérea, e para cada uma destas forças armadas existem três categorias de patentes: praças, sargentos e oficiais. Em todas existem cabos, sargentos, tenentes, capitães, muitos hífenes e aspirantes. Na Marinha estão os nomes mais curiosos: grumete, marinheiro, comodoro e almirante. O Exército e a Força Aérea têm as maiores semelhanças de patentes: soldado, furriel, alferes, major, coronel, general. No exército há brigadeiros; na Força Aérea, cadetes e marechais.

Feita a pesquisa, mantive a minha dúvida, de principiante. Em nenhuma listagem aparecia o «comandante»; bastava ter “olhado” para a palavra... «Comandante» é aquele que comanda, o que dirige. É o título dado ao oficial que comanda, independentemente de arma ou patente.

 
Dicionário do Português Atual Houaiss.Lisboa: Círculo de Leitores, 2011. 2 Vols.

quarta-feira, 6 de junho de 2012

Cão mongol

«Canato» é uma palavra curiosa. Não consta no Houaiss, dicionário que tenho em muito boa conta, nem no Dicionário da Língua Portuguesa da Porto Editora. Foi no Metro 2033, de que já falei antes, que deparei com a palavra. Descobri o significado no Priberam.

«Canato» é um território governado pelo cã. «Cã» é o título dos imperadores mongóis, descendentes de Gengis Khan. Nalgumas províncias da Ásia Central, o cã é o oficial comandante ou o governador.

Gengis Khan foi um dos mais conhecidos conquistadores. Foi guerreiro e líder mongol, e unificou diversas tribos nómadas da Mongólia, tornando-as aquilo que viria a ser o Império Mongol, que depois se estendeu pela Ásia até ao mar Adriático.

Na Wikipédia (e não só) o nome «Gengis Cão» aparece como uma alternativa ao nome de Gengis Khan. Além da questão fonética, não descubro outra razão para tal acontecer...

COSTA, J. Almeida; MELO, A. Sampaio e, Dicionário da Língua Portuguesa. 8.ª Ed. Porto: Porto Editora, 1999.
Dicionário do Português Atual Houaiss. Lisboa: Círculo de Leitores, 2011. 2 Vols.
Dicionário Priberam da Língua Portuguesa. 2010. www.priberam.pt
Infopédia. Porto: Porto editora, 2003-2012. www.infopedia.pt
GLUKHOVSKY, Dmitry, Metro 2033, trad. Pedro Garcia Rosado. Lisboa: Gailivro, 2011.
Wikipedia. www.pt.wikipedia.org

terça-feira, 22 de maio de 2012

A minha laranjeira

Mais uma aprendizagem com o livro de Orlando Ribeiro.

«Dendroclasta» ‒ Adjectivo. Que ou quem é indiferente à vida ou à preservação das árvores.

A palavra deriva do grego «déndron», árvore, e do latim «claustru», fechadura de porta, ferrolho; barreira, vedação; clausura; obstrução.


Dicionário do Português Atual Houaiss. Lisboa: Círculo de Leitores, 2011. 2 Vols.
MACHADO, José Pedro, Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. 6.ª Ed. Lisboa: Livros Horizonte, 1990. 5 Vols.

sexta-feira, 11 de maio de 2012

Velhos são os trapos

«I have since published his entire work.»  / «Desde então, publiquei toda a obra dele.»

A frase não era bem assim, mas o exemplo serve. A palavra inglesa «since» não é um “falso amigo”, e a sua tradução não parece oferecer dificuldades de maior; desde, desde então. Não fosse a incongruência que originava no texto, e que não me pareceu que fosse um lapso do autor, e teria passado. A palavra tem, no entanto, outros significados.
Folheei diversos dicionários (de inglês e bilingues) sem conseguir deslindar o caso. Foi no meu velhinho dicionário de inglês/português que “apanhei” o significado que procurava: «Depois, posteriormente: the house has been sold since.» Também o Merriam-Webster online apresenta esta alternativa: «After a time in the past: subsequently ‒ has since become rich


VALLANDRO, Leonel; VALLANDRO, Lino, Dicionário Ilustrado Verbo Inglês Português. São Paulo: Verbo-Globo, 1976. 2 Vols.

terça-feira, 8 de maio de 2012

Ar em movimento

aqui mencionei uma obra sobre a qual trabalhei, reedição de um texto de 1945. Trata-se de Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico, de Orlando Ribeiro. Os responsáveis pela edição do livro pretendiam manter, tanto quanto possível, as primeiras opções do autor, e o meu trabalho de revisão consistiu, essencialmente, na actualização ortográfica da obra.
Houve, no entanto, outras questões que surgiram com este trabalho. No livro são mencionados os nomes de alguns ventos, entre os quais o vento soão. Ignorância minha, lá achei que era «u» e não «o». Aprendi que existem os dois.

Soão ‒ A palavra deriva do latim solanu, de «sol», e significa «vento de leste». O vento soão é, então, um vento quente e abafadiço que se faz sentir em Portugal vindo do Oriente.
Suão ‒ De sulano, do Sul. O mesmo que «sulvento», vento do meio-dia. O vento suão é, assim, um vento também quente, mas que sopra do Sul.

Existem ventos «planetários», como os ventos alísios, ou alíseos, que sopram durante todo o ano, deslocando-se das regiões tropicais para o Equador (os ventos contralísios sopram na direcção contrária). Aos ventos de Verão chamam-se etésios, e sopram de Noroeste. E depois existem os ventos locais, como o bora, vento muito seco e frio que sopra no Adriático, especialmente na costa dálmata, e o mistral, vento forte, frio e seco que sopra do Norte. Com uma rápida pesquisa no dicionário descubro que, além dos ventos mencionados por Orlando Ribeiro, existem muitos mais; ábrego, barbeiro, chiasco, galerno...

Tive (muitas) dúvidas relativamente à utilização do itálico nos nomes dos ventos. A edição original do livro recorria ao itálico, bem como as edições posteriores. A regra genérica é a de que se deve utilizar o itálico nos nomes próprios dos animais, ou dos objectos, por forma a distingui-los dos nomes das pessoas. Mas não se tratava nem de uma coisa nem de outra. Já antes tinha estacado perante a possibilidade de recorrer ao itálico nos nomes dos furacões, que têm maioritariamente nomes femininos, e decidi avançar com o itálico. No caso dos ventos, e depois de descobrir o vento barbeiro e o salseiro, entre outros, pareceu-me que a situação era semelhante e que se justificava o uso do itálico.

Ossos do ofício ‒ No Houaiss, «soão» é definido como «vento quente que sopra do Sul para o Sudeste (...) vento que sopra da direção onde nasce o Sol»...


Dicionário do Português Atual Houaiss. Lisboa: Círculo de Leitores, 2011. 2 Vols.
MACHADO, José Pedro, Dicionário Etimológico da Língua Portuguesa. 6.ª Ed. Lisboa: Livros Horizonte, 1990. 5 Vols.
RIBEIRO, Orlando, Portugal, o Mediterrâneo e o Atlântico. 6.ª Ed. Lisboa: Livraria Letra Livre, 2011.